Escrevendo sobre Blade Runner em Novembro de 2019

Cinema sci-fi resenha geek

Estamos em Novembro de 2019, exatamente o futuro no qual se passa a hitória de Blade Runner. E Infelizmente ainda não temos carros voadores.

Blade Runner é uma distopia noir futurista. Para mim o melhor filme de ficçao científica já produzido. O filme se passa nas Los Angeles de Novembro de 2019 (ou seja, se pasaria nos tempos de hoje). Tendo em vista a decadência do planeta Terra, a humanidade começa a explorar e fundar colônias extra-terrestres. Para auxiliar na exploração do espaço, a empresa Tyrell Corporation começa a produzir seres biológicos humanoides chamados de replicantes que passam a executar ordens e comandos dos humanos. Quatro desses replicantes conseguem fugir das colônias extra-terrestres em direção à Terra, vindo até a cidade de Los Angeles, na busca de encontrar o seu criador. O Blade Runner (caçador de replicantes), Rick Deckarcd, é então convocado para caçar e “aposentar” os elementos desse grupo fugitivo.

Unicorn

Assisti esse filme pela primeira vez esse ano e agora me condeno por nunca ter pensado assistido antes. Como consegui viver por todo esse tempo sem ter apreciado essa obra de arte? Hoje afirmo que Blade Runner é um dos melhores filmes já produzidos de todos os tempos. Por que esse filme é tão bom? Eu explico, mas acho melhor você assistir antes de ler (tem spoilers!).

Por que gostei tanto?

Eu simplesmente amo filmes que logo quando terminam me estimulam a ir na internet e ler mais sobre a história. Ler cometários e interpretações de outros espectadores para contrapor as minhas. Além disso, adoro filmes que não deixam toda a história mastigada na sua cara. Blade runner foi o filme que logo que acabei, peguei o celular para ler as teorias dos fans. E logo que comecei a ler, já me surgiu a vontade de rever o filme já com um outro olhar, prestando mais atenção aos detalhes.

Ambientação

O filme apenas lhe conta uma breve introdução do que aconteceu com a Terra nesse futuro distópico. Todo o resto cabe a você deduzir sentindo a atmosfera do cenário. A ambientação ciberpunk-noir é de tirar o fólego e totalmente imersiva. Você sente o impacto da superpopulação, a miscigenação das diferentes culturas (em alguns momentos os personagens até misturam dialetos diferentes), o céu sempre escuro, o ar depressivo atravessando as ruas. O filme inteiro me faz ficar pesando “o que raios aconteceu pra Los Angeles ficar assim?”. A atmosfera de mistério criada é perfeita a casa completamente com o estilo noir do filme.

Ventilador

É impressionante como a história lhe mostra apenas um pequeno pedaço desse novo mundo mas você fica maravilhado com tudo o que pode ter acontecido mas nem sequer foi mostrado. Eu tive uma experiência prazerosa de contemplar o que estava implícito.

Corredor

Cadê os animais?

Durante todo o filme não aparece um animal sequer. Na verdade aparece apenas um, uma coruja. E a primeira pergunta que Deckard faz a Rachel é justamente se a coruja é artificial:

— Do you like our owl?
— It’s artificial??
— Of course it is.
— Must be expensive.
— Very.
— I’m Rachael.
— Deckard.
— It seems you feel our work is not a benefit to the public.
— Replicants are like any other machine - they’re either a benefit or a hazard. If they’re a benefit, it’s not my problem.

Owl scene

Será que nessa distopia futurista todos os animais foram extintos? Também não vemos natureza. A cidade é apenas concreto e metal, não existem mais árvores ou plantas. Além disso, o céu é sempre escuro, não vemos mais um céu azul.

Fire

Efeitos visuais

Efeitos visuais são impecáveis até para os padrões de hoje. Blade Runner é considerado o último filme de ficção científica feito apenas com efeitos visuais analógicos. Como assim? Nada de cenas criadas em computadores. Todos os elementos da cena, incluindo os carros voadores, são objetos de verdade.

Carros

Inclusive, a cidade inteira é uma grande maquete. Podemos até dizer que os efeitos visuais do filme são completamente artesanais.

Miniature

Filosofia

O roteiro do filme é bastante filosófico. Boa parte do filme gira em torno da pergunta “o que nos faz humanos?”. Um ser humanóide criado em laboratório também é um ser humano? A ideia de limitar o tempo de vida dos replicantes para impedir que eles aprendam a manifestar sentimentos e se revoltarem contra a humanidade é um conceito bastante pesado. Já não bastasse a escravidão eles possuem uma morte programada.

Por que Roy não mata Deckard?

Uma das cenas mais icônicas do filme trata justamente sobre o sentido da vida, com o monólogo poético de Roy Batty eternizado pela expressão “like tears in the rain”:

— I’ve seen things you people wouldn’t believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time like tears in rain. Time to die.

Like tears in the rain scene

A cena ganhou até página na Wikipédia.

Na versão do filme que foi aos cinemas, existe até uma narração explicando essa cena. Deckard narra que Roy deve ter sentido, por alguns segundos, o que era ser humano e ter amor pela vida, e por isso, decidiu poupar a vida de Deckard já que não ganharia nada com a sua morte. Ali foi um verdadeiro ato da mais pura humanidade de Roy.

Deckard é um replicante?

Sinceramente, eu nem cheguei a cogitar isso durante o filme. Na verdade, eu até pensei nisso rapidamente na cena em que Rachael pergunta se ele já aplicou o teste nele mesmo. Mas foi um pensamento fugaz que nem dei muito valor.

Teste do olho

Contudo, lendo análises e interpretações do filme, vi que muitos pontos do filme vão jogando a possibilidade de Deckard ser um replicante.

O unicórnio

A principal “deixa” se refere ao sonho do policial com um unicórnio. Essa foi uma cena completamente jogada durante o filme e que, isolodamante não fazia nenhum sentido. Se pararmos para pensar no roteiro e supormos que toda cena que está no filme está lá por algum motivo, então, qual o objetivo da cena do sonho?

Unicorn

Lá no fim do filme Gaff deixa para Deckard um unicornio de origami. Ora! Será que o colega sabia dos sonhos de Deckard? Se sim, então o Deckard realmente pode ser um replicante.

Outra coisa é a última fala de Gaff, que é um tanto curiosa:

— It’s too bad she won’t live! But then again, who does?

Por quê Deckard não pode recusar a nova missão?

Isso é algo que o filme não deixa claro. Na cena o delegado apenas diz a Deckard que ele não tem escolha e não pode se recusar a cumprir as ordens dele, mesmo estando “aposentado”. Será que ele é um replicante e não pode recusar ordens?

Diálogos

Todos os diálogos são muito profundos e bem elaborados. Muitas frases são bastante poéticas e sob um primeiro olhar parecem confusas. De forma geral os diálogos são bastante envolventes e contribuem ainda mais com a imersão já proporcionada pelo cenário.

Ambientação

Cenas memoráveis

Todas essas cenas que mostrei aqui ficaram marcadas nas minhas lembranças. Só de olhar pra um desses gifs o diálogo me vem à mente. Eu acredito que esse é um dos pontos pra considerar um filme como bom, ele deixou marcas em quem assistiu.

Roy

Provavelmente eu ainda vou escrever mais sobre esse filme. Talvez uma análise mais profunda após assistir ao documentário sobre os bastidores da produção e após ler o livro que inspirou a obra, o “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?” de Philip K. Dick. Todavia, eu realmente não poderia deixar Novembro de 2019 passar em branco sem publicar nada sobre esse filme que me marcou.