1917, um filme para ser visto no cinema!

Cinema oscar critica guerra 2019

Após um hiato de começo de ano sem postar nada no blog, resolvi começar a publicar minhas críticas sobre os filme indicados ao Oscar. Já assisti todos os indicados à categoria de melhor filme e vou tentar escrever sobre todos eles até o dia 9 (dia do Oscar). Então vamos começar por 1917.

Como sempre, eu gosto de alertar que minhas críticas são direcionadas para pessoas que já assistiram o filme. Então, assista antes de continuar a leitura. Alerta de spoilers!

Sinopse

1917 é um filme de guerra inovador em aspéctos técnicos. Filmado de modo a parecer um plano sequência sem nenhum corte, a aventura permite uma imersão sem precedentes. Ambientado na primeira guerra mundial (1917), a história é bastante simples: dois cabos são convocados para uma missão suicida, atravessar as linhas inimigas e enviar uma mensagem para impedir um ataque que, na verdade, é uma armadilha dos inimigos.

Minha opinião

O filme é uma grande obra de arte visual e deve ser interpretado dessa forma. Não vá assistir esperando apreciar uma grande história de guerra. O filme é muito mais uma imersão audiovisual. Minha sensação assistindo era que eu estava inserido numa missão de Call of Duty (um jogo de videogame).

Eu faço a seguinte analogia: imagina que um pintor achou uma paisagem bonita e deseja pintar um quadro sobre ela. O quadro não precisa ter um significado, eles apenas achou bonito e quis pintar. É o mesmo com esse filme. É uma obra pra você assistir e achar linda visualmente.

A história do filme, atravessar o terreno inimigo para levar uma mensagem de impedir um ataque, é apenas uma desculpa para justificar a realização desta “pintura”. Muita gente está criticando dizendo que não tem história e tals e tals. Mas sim, o objetivo desse filme não é ter uma grande história. Para mim é o mesmo que criticar um quadro abstrato por ser pouco realista. Ora, o pintor escolheu fazer uma obra abstrata. Do mesmo modo, Sam Mendes (o diretor) escolheu fazer uma obra técnica, visual e imersiva.

Poderia ter uma história melhor? Até poderia, mas sinceramente eu acredito que escreveram o roteiro tentando facilitar ao máximo as filmagens. Se colocassem detalhes demais na trama, ficaria muito dificil manter o plano sequência. A história foi escrita para permitir a filmagem desejada e não o contrário. Aliás, pensem no desafio gravar cenas de até 6-10 minutos sem cortes, em plena luz do dia.

Interessante que o filme é tão simples que está inteiro na minha cabeça. Consigo me lembrar de praticamente todas as cenas. Acredito que isso seja facilitado pela própria forma como foi filmado, sem interrupções. Gravei o filme como se fosse uma vivência minha mesmo. Como se fosse uma aventura que presenciei com meus próprios olhos, sem cortes e sem pulos. Isso tudo facilitou a fixação na memória, trazendo um realismo.

A morte de Blake

Até a morte do Blake, eu estava achando o filme simplesmente PERFEITO. Eu estava adorando a interação dos dois personagens, sempre discutindo sobre a missão suicida. Depois que Blake morre, senti que a qualidade foi do filme foi prejudicada. Acompanhar Schofield sozinho não foi tão interessante quanto a dupla juntos.

Depois que entrei na faculdade de medicina e já tive a experiência de ver pessoas morrendo em leitos de hospitais, comecei a observar e criticar mais as cenas de morte do cinema. E, com certeza, a cena da morte de Blake é uma das melhores cena de morte do cinema.

Em 1917, Blake morre lentamente após receber uma facada no abdome. A cena inteira é bastante realista. A compressa que Schofield coloca para tentar estancar o sangramento fica encharcada, percebemos que o sangramento não cessa a ponto de molhar toda a roupa de Blake que aos poucos começa a adormecer e ter dificuldade para articular as palavras, perdendo a conciência enquanto vai ficando cada vez mais pálido.

Como era um plano sequência, fiquei procurando se o ator de Blake continuaria fazendo movimentos respiratórios após já ter encenado a morte. Não consegui identificar falhas.

Outras cenas especiais

Na cena da explosão em que o rato ativa a armadilha, eu dei um pulo no cinema. Nunca imaginaria que logo no começo do filme já teria uma cena de quase morte como essa. Ainda mais porque após ver que a trincheira inimiga estava realmente vazia, eu dei uma relaxada achando que os protagonistas estavam seguros ali.

Achei a cena do avião perfeita. Por mais que ela não seja muito provavel no mundo real, eu aceitei de boa (diferente das cenas do final do filme que foram totalmente irreais e comento abaixo). Uma pena que ela tenha sido mostrada logo no trailer. No meu caso, ainda bem que não assisti o trailer pois foi bom tomar um susto no cinema sem saber o que ia acontecer com aqueles aviões em batalha.

Ultimamente estou evitando ao máximo assistir a trailers de filmes. Estragam a experiência de assistir sem saber nada do que vai acontecer.

E o significado?

Mesmo o filme tendo uma história extremamente simples, eu consegui identificar um significado alí. Na cena final, o General basicamente diz que toda a aventura dos protagonistas vai ser em vão, por que provavelmente nos dias seguintes o ataque será novamente autorizado. Passando a impressão de que a missão suicida inteira apenas adiou o massacre inevitável da guerra.

Enquanto eu ia refletindo sobre isso, Schofield andava no meio dos soldados feridos em busca do irmão de Blake que todos imaginavam estar morto a esta altura.

Ficou uma história um tanto irônica, pois Blake saiu em missão para impedir a morte do irmão e no fim quem morre é ele mesmo. Trágico!

O que eu não gostei do filme?

Acho que o filme quis mostrar uma bondade exagerada nos dois protagonistas. Eles ficam num modo excessivamente defensivo em plena guerra. Enquanto isso, os inimigos são exatamente o oposto, saem atirando feito loucos e não esboçam nenhum sinal de humanidade. O bom e velho clichê de filmes de guerra americanos. Nós contra eles.

Schofield mata apenas três dos vários inimigos que encontra no caminho e sempre de uma maneira defensiva, como se ele evitasse ao máximo ter de matar alguém na guerra. Qual o problema disso? O problema é que no resto dos encontros com alemães, ele fica correndo loucamente DESVIANDO DOS TIROS em cenas completamente irrealistas! Sério, ele corre em linha reta com alemães atirando nas suas costas e errando todos os tiros! Isso não era necessário. Schofield é algum tipo de pacifista para não matar inimigos na guerra? Se formos contar, ele deve desviar de mais de 50 tiros.

Essa falta de realidade no terceiro ato do filme me tirou completamente da imersão que eu vinha sentindo. Se a proposta era trazer um realismo, falhou completamente nessas cenas absurdas de Schofield correndo e se entregando à sorte.

Como esse filme vai envelhecer?

Infelizmente eu acho que esse é aquele filme de uma experiência única que não vai se repetir. Após assistir no cinema, vê-lo no sofá de casa vai ser uma bosta.

E mesmo que ele volte aos cinemas no futuro, como um clássico, assistir já sabendo a história não será a mesma coisa. É um filme de uma única assistida.

Veredito final

Simplesmente amei esse filme, achei uma verdadeira obra de arte. Contudo, como mencionei, as cenas de Schofield desviando dos tiros me tiraram completamente da imersão, me lembrando que tudo aquilo não passava de uma ficção. Por isso, não acho esse filme perfeito e não dou nota máxima. Dessa forma, o filme vai ficar com 4 estrelas.

Como eu disse, até a morte de Blake o filme era perfeito. Gostei muito mais de seu personagem, ele me trouxe mais empatia discutindo com Schofield e aceitando a missão louca na esperança de salvar seu irmão. Talvez sua morte tenha sido muito prematura, poderiam retardá-la um pouco mais para que pudessemos apreciar a dupla por mais tempo.

Nota final: ★★★★

Comentários

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