Ler mais livros, ler rápido e com qualidade

#Livros
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Agora que estou de férias, vou me propor o desafio de ler o máximo de livros que conseguir em apenas 3 meses. Faz muito tempo que não leio algo que não esteja diretamente relacionado aos estudos. Durante este hiato, vou aproveitar a oferta de 3 meses de assinatura do Kindle unlimited por um realzinho. Quero ler tantos livros a ponto de fazer os donos da Amazon se arrependerem por ter me concedido essa oferta.

Para conseguir este feito, vou precisar otimizar ao máximo a leitura. Encontrar o equilíbrio entre velocidade e qualidade. Para isso, separei alguns métodos pontuais que vou tentar aplicar nessa empreitada.

Kindle com capítulo de <em>Game of Thrones</em>

Focando nas ideias centrais

Na busca de bons blogs pra adicionar ao meu feed diário, conheci o blog Diplomatizzando de Paulo Roberto de Almeida e tive a oportunidade de ler um artigo seu de 2005, entitulado Meus ‘metodos’ de leitura (tenho algum?).

Destaco aqui dois trechos de sua postagem:

Agora que desisti de fazer grandes leituras anotadas, leio rápido, muito rápido mesmo, pois minha grande familiaridade com os livros me habilitou a ler aquilo que é relevante em cada livro, de maneira a “liquidar” com um volume em muito pouco tempo, e nele selecionar aquilo que interessa de fato na obra, para apresentação a outros.

Sim, devo dizer que sempre estou lendo com o propósito de fazer alguma resenha, o que é uma maneira prática de ir realmente ao essencial do livro, e de me obrigar a acompanhar o que se publica de mais importante em minhas áreas de interesse.

Sempre li muito devagar e já fui uma pessoa de anotar tudo o que lia. No entanto, mesmo tendo abanonado o hábito de anotar, continuo lendo muito devagar. Seja lendo materiais acadêmicos ou livros casuais de literatura.

Agora percebo o meu problema, sempre dou muita atenção a qualquer trecho dos livros, mesmo os detalhes mais insignificantes. Em minhas leituras, se não entendo uma única frase por completo, volto ao início do capitulo e releio. Tudo bem fazer isso algumas vezes, mas eu fazia em cada página.

Ora, num livro com mais de 200 páginas não é possível que cada frase seja essencial para entender a ideia central. Na verdade, os argumentos e pontos centrais das obras são justamente aqueles que leio de forma mais fluida e suave. São justamente nas “gorduras” e “encheções de linguíça” que travo a leitura.

Muitos autores de romances adoram ser extremamente descritivos, detalhando as cenas com a mais absurda riqueza de informações. Legal que isso aumenta a imersão no universo, mas sempre fiz mal uso dessas descrições e ficava me preocupando demais em decorar qual a cor dos olhos de um personagem, ou como os móveis estavam dispostos emm um cômodo. Se essas informações realmente forem fundamentais para o enredo, com certeza serão resgatadas mais à frente.

Por vezes eu entendo a ideia que um parágrafo quer passar, mas a forma como foi escrito soa ambíguo. Isso acontece muito com livros de política. Aí eu penso será que é isso mesmo que quis dizer?. Releio e descubro sim, era isso. Acontece demaaaais comigo.

Solução: reler parágrafos o mínimo possível. Se for uma ideia realmente importante, ela muito provavelmente será retomada mais à frente.

Ler pensando em escrever uma resenha

Realmente, como mencionado por Paulo, esse é um método bastante promissor. Mesmo que você não escreva de fato uma resenha, o método pode ser susbtituído por “ler pensando em discutir com alguém”, seja com amigos ou familiares.

Esse método reforça o método anterior. Você se vê obrigado a focar a atenção nos pontos realmente importantes, os pontos chave que conseguem resumir toda a obra ou são capazes de nortear conversas futuras. Corrobora a ideia de não ficar relendo ou se preocupando com as “linguiças” dos livros.

Talvez eu até comece a escrever resenhas sobre livros. Vamos ver se a vontade vai surgir.

Interromper um livro pela metade

Desde pequeno as pessoas me ensinaram a não julgar livros pela capa e nem pelos primeiros capítulos. O início é chato mas quando chegar na metade pro fim você não vai se arrepender — diziam. Não me lembro de uma única vez que essa “dica” fez sentido.

Hoje, se o livro continua chato lá pelo terceiro capítulo eu já desisto. Melhor partir para uma leitura agradável. Foi-se a época que eu me flagelava lendo coisas intragáveis. O tempo lendo um livro chato pode ser o mesmo de ler três ou quatro bons livros.

Recorrer à internet em caso de dúvidas

Esse é um ponto que venho experimentando bastante ultimamente enquanto leio Game of Thrones. É humanamente impossível decorar o nome de todos os personagens já citados na obra (certeza que nem o George Martins lembra-se de todos). Durante a leitura, quando me deparo com um nome já mencionado mas não lembro quem seja, ao invés de folhear as páginas já lidas procurando pela explicação, vou direto para a internet e leio um artigo da Wiki gelo e fogo (que é bastante rica e fiel aos livros, por sinal).

Esquecer (ou confundir) o nome dos personagens foi o que acabou me fazendo abandonar a leitura de Guerra e Paz (os nomes Russos não ajudavam). Mas claro, pretendo retomá-lo. Provavelmente tendo que recomeçar pelo início.

Ler todo dia

Esse eu acho um ponto bastante importante. A ideia aqui é tornar a leitura um hábito.

O que acontece muito comigo é que nem sempre eu tenho 1 hora livre para ler. Visando não perder o hábito, é melhor ler pelo mínimo tempo disponível, nem que sejam por 5 minutos. Ao menos abrir o livro e ler uma página. Essa simples atitude faz você se lembrar de onde parou e vai ajudar a lembrar da história nos dias seguintes.

Ao passar um dia sem ler, parte da história pode ser apagada da memória recente. Será mais custoso se lembrar de onde parou após dias sem tocar no livro.

Levar o livro onde for

Sinceramente, eu nunca gostei muito dessa ideia. Ficar carregando peso na bolsa e nem sequer ter a oportunidade de abri-los sempre foi o padrão para mim. Na verdade, era assim que eu estragava meus livros. Eles passavam dias jogados na bolsa sem nem serem abertos.

Agora que eu tenho um Kindle faz sentido “levar o livro pra todo canto”. Ele não pesa quase nada e cabe com tranquilidade na bolsa. E se eu não estiver com o Kindle, ainda tenho o livro sincronizado na página que parei para ser lido pelo aplicativo no celular. Então, onde eu estiver com o celular, todos os meus livros estarão comigo. Veja só que mágico, o que uma pessoa do século 18 que acumulava rolos de pergaminho acharia disso?

Colocando em prática

É isto. Vou me basear nesses pontos e tentar ler o máximo de livros nessas férias. Começando pelo primeiro livro das crônicas de gelo e fogo que já estou lendo. Em breve posto aqui o resultado desse desafio. Estou até curioso para saber quantos vou coseguir ler. A vontade é uma coisa, pôr em prática é outra.

Sobre o autor

Olá! Eu sou Filipe Mosca. Sou acadêmico de medicina e tenho um profundo interesse em ler e escrever sobre medicina em geral, desde a ciência até temas filosóficos e humanitários.

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