Star Wars episódio IX é muito bom!

Cinema star wars critica sci-fi

Acabei de voltar do cinema e já sentei para escrever o que achei da A Ascensão Skywalker. Quero contar quais foram as minhas primeiras impressões logo após asssistir o filme, antes que minha opinião inicial seja afetada ou influenciada por críticas de terceiros.

Claramente, haverá muitos spoilers nesse texto. Na verdade eu vou soltar os principais eventos do filme, então só leia se já tiver assistido!

Muitas emoções

De fato foi um filme que trouxe muitas referências para os fans. Principalmente com Han Solo e Luke aparecendo novamente. O enredo conseguiu trazer uma certa nostalgia da trilogia original. A batalha final, a rebelião se jogando com tudo que tinha pra um ataque de vida ou morte, Endor aparecendo novamente (inclusive os Ewoks), planetas sendo destruídos, as ruínas da estrela da morte e até a sala do imperador. E o melhor, não foi necessário uma quarta estrela da morte pra trazer esse gostinho de lembrança (cutucada no episódio VII).

Babu Frik
Babu Frink resgatando a memória de C3PO

O significado do filme como um todo foi muito bonito. Sempre foi meio óbvio que haveria uma redenção para Kylo Ren e acho que da forma que foi feito ficou muito digno. A forma como as pessoas comuns se juntaram à rebelião no final também foi de tirar o fólego.

Em muitas cenas do filme eu acabei chorando. Maldita trilha sonora que arranca lágrimas tão facilmente. A cena em que C3PO estava prestes a ter sua memória apagada, a pseudo-morte de Chewie, a morte de Leia e a morte de Ren. O filme conseguiu facilmente mexer com meus sentimentos. Não que seja muito difícil em se tratando do universo de Star Wars.

Millenium Falcon
Millenium Falcon e as demais naves que se juntaram à rebelião nos acréscimos

As “missões secundárias” fizeram sentido!

Diferentemente do episódio XIII que teve aquele arco bem inútil no planeta cassino, esse novo filme explorou muito bem novos elementos culturais do universo durante as missões para encontrar a “bússola”.

Gostei muito dos arcos no planeta Kijimi e no planeta da festa a cada 42 anos que não me lembro o nome (curiosidade: fazem 42 anos da estreia do primeiro filme lá em 1977). Casaram perfeitamente com a linha central do filme.

O personagem Babu Frik foi muito divertido, e cativou os telespectadores, arracando risos na sala de cinema. A Zorri Bliss, ex-colega do Poe, também foi bem elaborada e relevante para a história. Tanto por trazer à tona um pouco do passado de Poe como pela fala “os inimigos querem que pensemos que estamos sozinhos”. Uma frase muito bonita e que vai impactar diretamente no otimismo de Poe e na confiança de realizar o ataque em Exogel (além de ter dado o artefato que permitiu eles entrarem no Destroyer). Em seguida ela, claro, aparece junto dos civis que se juntaram na batalha final à rebelião, representando a esperança.

Zorri Bliss
Zorri Bliss

Enquanto isso, a personagem Rose Tico foi rebaixada a uma mera figurante. Acredito que essa foi uma jogada para agradar a que não gostavam dela. Mais uma evidência da indecisão de definir os rumos da trilogia e de como ela não foi planejada. Inseriram uma personagem para depois abandoná-la.

A morte de Leia

A essência do falecimento de Leia foi praticamente a mesma do de Han Solo. Foi tentando trazer Ren para o lado da luz. Uma das coisas que eu mais temia era como seria encaixada na história uma possível redenção de Kylo Ren. Mas no final achei que ficou muito legal a sacada que fizeram. A experiência de estar à beira da morte e ser salvo (leia-se, curado) por Rey, perder a mãe e logo em seguida rever Han Solo, fizeram Ren repensar seus ideais. O resultado final ficou bem legal e transpareceu um sentimento verdadeiro de mudança.

Imagino que cena de Leia morrendo não teve tanto tempo de tela, e nem um foco maior em eu rosto devido à morte precoce de Carrie Fisher. Nem critico muito a cena da morte propriamente dita tendo em vista esse problema logístico. Não sei o que mais arrancou lágrimas, a morte da personagem ou a lembrança da memória da atriz.

Leia Jedi?

A cena em que Luke fantasma revela a Rey que Leia tinha um sabre de luz vai ficar eternizada em minha memória porque nesse momento um cara gritou “What???” bem alto e o cinema deu risada.

— What?! — telespectador após descobrir que Leia treinava para ser Jedi.

Para mim esse arco foi uma verdadeira honraria e engrandecimento da personagem. Nas trilogias originais já sabíamos que ela também possui o dom da Força. Por que não treinar e tentar aflorar o seu lado Jedi? Ela é tão filha de Anakin quanto Luke. A personagem merecia esse arco, mesmo que tenha sido apenas citado. Gostei de verdade.

Drama familiar

Então a Rey é neta do Palpatine. Achei legal a ideia, ainda mais após a cena final em que ela disse ser uma Skywalker. Aquela cena foi belíssima. Também é uma cena carregada de muito significado, pois pais de verdade são os que criam.

Na serie Mandalorian vemos algo semelhante. O protagonista, Mando, não nasceu um mandaloriano, mas como foi praticamente criado por eles, se considera um.

Eu sei que muitas pessoas vão dizer que preferiam que a Rey não tivesse nenhum parente significativo. Mas nesse caso teriamos que assumir que ela seria como Anakin que nasceu aleatoriamente portando a Força. Considerando a cena final, valeu a associação familiar. Eu só não consigo imaginar com quem o Palpatine teve filhos.

O fato é que Star Wars sempre foi, desde o início, uma novela familiar. Um verdadeiro “casos de família”. Tanto a primeira trilogia, como a segunda e, pra manter a tradição da saga, a terceira. Dizer que o parentesco de Rey estragou a saga é realmente não ter compreendido a essência das histórias.

Afinal, se sobraram apenas os Skywalker de Jedis e o Palpatine de Sith, faz muito sentido que os proximos Siths e Jedis tenham parentescos com eles.

De qualquer forma, Rey ser neta de Palpatine foi sim inusitado. Ninguém cogitou isso nos dois filmes anteriores (até porque Palpatine estava morto, né).

O novo velho vilão

Acrédito que muita gente não vai gostar da volta do palpatine, mas eu achei bem legal. Voltar com um vilão de verdade foi a melhor coisa que poderiam fazer após fracassarem brutalmente tentando criar um novo — o Snoke (Na verdade este estava mais para figurante do que vilão).

A ideia da clonagem foi meio tosca? À primeira vista, sim, é verdade. Mas se pararmos para pensar no episódio II (O ataque dos clones), os Sith possuiam a capacidade de clonar milhares de soldados para a república. Com todo esse potencial, por que não clonar o seu imperador?

Considerando também o episódio III (A vingança dos Sith), tem a cena em que o Palpatine falava para Anakin sobre a possibilidade de atingir a imortalidade e sobre o Darth Plagueis. Curiosamente, essa cena até virou meme na gringa.

— Did you ever hear the tragedy of Darth Plagueis The Wise? I thought not. It’s not a story the Jedi would tell you. It’s a Sith legend. Darth Plagueis was a Dark Lord of the Sith, so powerful and so wise he could use the Force to influence the midichlorians to create life… He had such a knowledge of the dark side that he could even keep the ones he cared about from dying. The dark side of the Force is a pathway to many abilities some consider to be unnatural. He became so powerful… the only thing he was afraid of was losing his power, which eventually, of course, he did. Unfortunately, he taught his apprentice everything he knew, then his apprentice killed him in his sleep. Ironic. He could save others from death, but not himself.

Cena em que Palpatine conversa com Anakin
Cena em que Palpatine fala a Anakin sobre Darth Plagueis

Não podemos dizer que a ideia de clonagem e imortalização de um Sith caiu de paraquedas. Havia sim um plano de fundo para trazer esse plot twist. Além disso, essa mesma fala do Palpatine também nos permite justificar a possibilidade de curar, ou mesmo reviver, alguém usando a força e a manipulação dos midichlorians.

E Star Wars sempre teve cenas toscas. Ou vai dizer que ursinhos (Ewoks) derrubando soldados de amadura apenas com pedradas não é tosco?

Os cavaleiros de Ren

Enfim eles apareceram. Após o esquecimento no segundo filme, era óbvio que eles teriam que aparecer nesse. Mesmo que com pouco espaço de tela.

A maior contribuição deles para este filme foi na batalha com Kylo Ren. Achei aquela cena maravilhosa, com Rey dando o sabre a Ren através da díade de Força. E a carinha que Ren faz após receber o sabre e mostrar aos cavaleiros foi icônica.

Palpatine sugando a vida de Rey e Ren

Realmente, eu acho que essa foi a parte mais tosca do filme. Por um momento eu achei que estava assistindo Harry Potter numa cena com um dementador sugando sua essência (até que o Palpatine e o Voldemort são parecidos).

Beleza, o imperador recuperou suas forças e voltou a ser o fortão que consegue jogar raios em todas as naves da república. Mas morreu tão facilmente para um Rey logo após ter parte da sua vida “sugada”. Senti falta de uma grande luta, uma batalha digna com sabres de luz. Talvez com Rey e Ren se unindo contra ele. Tantos anos confinado num planeta fora dos mapas pra morrer de forma tão rápida e sem ânimo. Mas enfim, ficou até feio reerguer um vilão e matar ele tão facilmente. Talvez ele devesse ter voltado já nos filmes anteriores. Sei lá. Esse foi o ponto do filme que realmente não gostei. Se algo me desagradou nesse filme, foi o desfecho simplório de Palpatine.

Aliás, o calcanhar de aquiles da nova trilogia foram justamente os vilões. Aqui estou excluindo Kylo Ren que na verdade é um anti-herói. Ele foi um personagem que gostei bastante.

A morte de Ren

Poxa, aqui foi sentido. Sempre achei Kylo Ren um ótimo personagem (como disse acima). Deram a ele o mesmo destino de Darth Vader, a redenção seguida pela morte. Assistindo o filme já ficou meio óbvio que ele ia se sacrificar pela Rey. Foi uma cena bonita. É aquela cena que os produtores falam “vamos tirar algo dos fans, não podemos dar tudo. Eles precisam sofrer”. Como Rey havia dito, a cura é a transferência de parte da Força. No caso, Ben transferiu toda a sua Força como um sacrifício por Rey.

Então, a “ascensão Skywalker” foi a Rey se considerando parte dessa família, uma vez que todos os Skywalker de sangue morreram. Como já mencionei, essa cena final da senhora perguntando o nome de Rey foi incrível e cheia de significado.

Conclusão

Acredito que o problema desta nova trilogia seja que ela claramente não foi planejada. Ninguém sentou para pensar com antecedência no roteiro dos três filmes. O segundo filme, episódio VIII, caiu de paraquedas sem dar sequência a muitos eventos e adicionando coisas novas do nada. As críticas que faço a este último filme são exatamente levando em conta a trilogia como um todo. Mas repito, deixando os problemas da trilogia de lado, esse filme foi muito bom!

Não sei se esse texto ficou bom. Relendo várias vezes acho que não ficou bem estruturado. Também acho que esqueci de falar de muitas outras coisas que me agradaram, mas minha memória é muito ruim, então acabei focando no que mais me impactou. Vou postá-lo mesmo assim. Corri para escrever antes de receber qualquer opinião externa acerca do filme.

Agora vou começar a ler as mais variadas crítivas e análises e depois escrevo um novo texto. Talvez a minha opinião sobre o filme até mude. Posso de repente deixar de achar que o filme foi tão bom quanto acho agora. Mas foi justamente por isso que fiz questão de deixar registrada a minha opinião “virgem” logo após sair do cinema.

E penso que, se sai feliz do cinema, independente do que eu venha a achar depois, é porque o filme foi bom e valeu a pena. E eu sai da sala muito contente com o que vi.

Comentários

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